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SetembroAlzheimer e envelhecimento

Antes de passar raiva com o idoso, entenda: nem tudo é teimosia — e nem todo esquecimento é normal

Lidiane Meira MartesPublicado em 01 de setembro de 20269 min de leitura

Repetir perguntas, esquecer informações, demorar para realizar tarefas ou apresentar mudanças de comportamento nem sempre é teimosia. Entenda o que pode fazer parte do envelhecimento, quais sinais merecem atenção e por que observar a funcionalidade da pessoa idosa é tão importante.

Antes de passar raiva com o idoso, entenda: nem tudo é teimosia e nem todo esquecimento é normal — All Care Fisioterapia Integrada

“Eu já expliquei isso três vezes.”

“Você acabou de me perguntar a mesma coisa.”

“Por que ele não faz o que estou pedindo?”

“Ela sempre foi independente. Agora parece que não presta atenção em nada.”

Se você convive com uma pessoa idosa, talvez já tenha vivido alguma dessas situações. E, sim, pode ser cansativo.

Repetir a mesma resposta. Esperar mais tempo para a pessoa se vestir. Explicar novamente onde está determinado objeto. Ouvir a mesma história várias vezes. Perceber que uma tarefa simples agora demora muito mais.

Em determinados momentos, é quase automático pensar:

“Ele está fazendo isso de propósito.”

Mas antes de perder a paciência, vale fazer outra pergunta:

Essa mudança de olhar pode transformar a forma como uma família enfrenta o envelhecimento — especialmente quando existem alterações cognitivas ou doenças como Alzheimer e outras demências.

Envelhecer não significa desenvolver demência

Primeiro precisamos separar duas coisas.

Envelhecimento não é sinônimo de Alzheimer.

Uma pessoa pode demorar um pouco mais para lembrar um nome, esquecer ocasionalmente onde colocou os óculos ou precisar de mais tempo para aprender uma informação nova sem que isso represente necessariamente uma doença.

Entretanto, existe diferença entre um esquecimento ocasional e uma alteração progressiva que começa a interferir na vida cotidiana.

Por isso, nem todo esquecimento deve ser tratado como Alzheimer, mas mudanças progressivas da funcionalidade também não devem ser automaticamente consideradas apenas “coisa da idade”.

“Mas eu acabei de falar isso para ele!”

Imagine:

— O médico é amanhã às 10 horas.

Cinco minutos depois:

— Que horas é o médico?

Você responde novamente. Pouco depois:

— É amanhã que eu vou ao médico?

Na terceira ou quarta repetição, a família pode começar a se irritar.

Mas, em determinados quadros cognitivos, a pessoa pode apresentar dificuldade para registrar, armazenar ou recuperar uma informação recente.

Para você, aquela conversa ocorreu há poucos minutos.

Para ela, aquela informação pode não estar disponível da mesma forma.

Portanto, nem sempre estamos diante de provocação, desinteresse ou teimosia.

Pode existir uma alteração que precisa ser compreendida.

Mas compreender o que pode estar acontecendo pode mudar completamente a maneira como a família responde.

Nem tudo é “coisa da idade”

Também existe o extremo oposto.

Às vezes, a família percebe mudanças importantes e afirma:

“É normal. Está ficando velho.”

Alguns sinais merecem maior atenção quando passam a ser frequentes, progressivos ou começam a interferir na vida cotidiana, como:

  • repetição frequente das mesmas perguntas;
  • dificuldade para lembrar acontecimentos recentes;
  • desorientação em locais anteriormente conhecidos;
  • dificuldade para acompanhar conversas;
  • maior dificuldade para encontrar palavras;
  • mudanças importantes de comportamento;
  • dificuldade para organizar tarefas anteriormente habituais;
  • abandono de atividades;
  • dificuldade para tomar decisões;
  • aumento da dependência.

Importante: esses sinais isoladamente não confirmam Alzheimer. Existem diferentes causas para alterações cognitivas, e o diagnóstico exige avaliação clínica apropriada.

Uma pergunta pode ser mais importante do que “ele está esquecendo?”

Compare a pessoa hoje com a pessoa de seis meses ou um ano atrás. Naquele período, ela conseguia:

  • levantar-se sozinha?
  • caminhar sem ajuda?
  • tomar banho?
  • escolher e vestir suas roupas?
  • preparar uma refeição?
  • organizar suas atividades?
  • sair de casa com segurança?
  • participar de conversas?
  • realizar pequenas tarefas domésticas?
  • lembrar compromissos?
  • participar da vida familiar e social?

Observar funcionalidade é fundamental. Ela mostra, de forma concreta, o que a pessoa ainda consegue realizar e o que passou a exigir ajuda — informação que orienta melhor o cuidado do que uma impressão isolada sobre memória.

Às vezes, a mudança aparece primeiro no movimento

“Minha mãe parou de sair.”

“Meu pai começou a cair.”

“Ela está andando mais devagar.”

“Ele não consegue mais levantar sozinho.”

“Ela ficou insegura para tomar banho.”

“Ele passa praticamente o dia inteiro sentado.”

Nessas situações, precisamos observar:

  • força;
  • equilíbrio;
  • marcha;
  • mobilidade;
  • independência;
  • quedas;
  • medo de cair;
  • participação nas atividades cotidianas.
  1. Menos movimento
  2. Perda de força
  3. Maior insegurança
  4. Ainda menos movimento
  5. Maior dependência

Todo idoso com esquecimento precisa de fisioterapia?

Um episódio isolado de esquecimento não representa indicação automática de fisioterapia.

O diagnóstico de Alzheimer não é realizado pela fisioterapia.

Quando existe suspeita de comprometimento cognitivo ou demência, é necessária investigação clínica adequada.

O cuidado responsável não começa tentando encaixar toda pessoa em um tratamento. Começa tentando entender o que realmente está acontecendo.

Quando uma avaliação fisioterapêutica pode fazer sentido?

Quando existem alterações como:

  • perda de força;
  • dificuldade para caminhar;
  • desequilíbrio;
  • quedas ou quase quedas;
  • dificuldade para levantar-se da cadeira ou da cama;
  • redução da mobilidade;
  • medo de cair;
  • abandono de atividades;
  • dificuldade nas transferências;
  • aumento da dependência nas atividades cotidianas.

A avaliação fisioterapêutica pode identificar tanto as capacidades preservadas quanto as alterações funcionais — e é isso que orienta qualquer conduta.

É preservar aquilo que ainda lhe permite ser independente.

Levantar-se.

Caminhar.

Ir ao banheiro.

Sentar-se à mesa.

Tomar banho com maior segurança.

Participar da rotina familiar.

Continuar fazendo aquilo que ainda consegue fazer.

Não infantilize a pessoa idosa

Alterações cognitivas não transformam um adulto em criança.

A pessoa continua tendo:

  • história;
  • preferências;
  • experiências;
  • afetos;
  • opiniões;
  • medos;
  • dignidade.

Ajude quando necessário, mas preserve aquilo que ela ainda consegue fazer.

E quem cuida?

Também é necessário olhar para familiares e cuidadores.

É fácil dizer: tenha paciência.

Muito diferente é exercer essa paciência repetidamente, todos os dias.

Cuidar de uma pessoa com comprometimento cognitivo pode provocar sobrecarga física e emocional. Isso não é falha de caráter nem falta de amor.

Antes de discutir, tente compreender

Quando uma pergunta for repetida, talvez seja necessário repetir a resposta.

Quando uma tarefa demorar, talvez seja necessário oferecer mais tempo.

Quando existir confusão, uma explicação simples pode funcionar melhor do que uma discussão.

Quando existir insegurança, talvez a pessoa precise de apoio — não de cobrança.

Um exercício para fazer hoje

Observe a pessoa idosa que você ama.

Não procure somente aquilo que ela perdeu.

Observe aquilo que ela ainda consegue fazer.

Talvez ainda caminhe sozinha.

Talvez escolha a própria roupa.

Talvez reconheça músicas.

Talvez goste de cuidar das plantas.

Talvez consiga preparar alguma coisa.

Talvez conte histórias antigas com detalhes impressionantes.

Cuidar não significa fazer tudo pela pessoa.

Muitas vezes, cuidar significa criar condições para que ela continue fazendo, pelo maior tempo possível, aquilo que ainda consegue realizar.

Antes de perder a paciência, lembre-se

Nem tudo é teimosia.

Nem todo esquecimento é Alzheimer.

Nem toda mudança é simplesmente “coisa da idade”.

E nem sempre a pessoa idosa consegue explicar aquilo que está acontecendo com ela.

Envelhecer com dignidade não significa apenas acrescentar anos à vida. Significa preservar, sempre que possível, autonomia, movimento, participação, segurança e qualidade de vida.

All Care Fisioterapia Integrada — cuidado individualizado em cada fase da vida.

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Será que meu familiar precisa de uma avaliação?

Talvez sim. Talvez não.

Na All Care Fisioterapia Integrada, uma avaliação não deve existir para procurar um problema onde ele não existe. Ela deve ajudar a responder perguntas: houve perda de força? O equilíbrio mudou? Existe maior risco de quedas? A marcha está diferente? Houve redução da mobilidade? A independência funcional diminuiu? A pessoa continua realizando suas atividades com segurança?

Quando existem alterações funcionais, a fisioterapia pode fazer parte do cuidado.

Quando aquilo que observamos não pertence à área da fisioterapia, orientar a família a procurar o profissional adequado também faz parte de uma atuação responsável.

Você percebeu alguma mudança na mobilidade ou independência de alguém da sua família?

Talvez não seja necessário iniciar fisioterapia. Primeiro, vale entender o que realmente mudou.

Uma avaliação fisioterapêutica pode ajudar a identificar alterações de força, equilíbrio, marcha, mobilidade e funcionalidade.

Quero entender a funcionalidade

Referências e fontes

Este conteúdo possui finalidade informativa e educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento individualizado por profissional de saúde.

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